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Primeiro Aquário

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Artigo Primeiro Aquário

Mensagem por Mauricio Molina em Dom Set 20, 2009 12:45 pm

Introdução




Um aquário fica sempre bem em qualquer lado da casa, seja na sala, na cozinha ou no escritório qualquer sítio é um bom sítio para se ter um aquário. E já agora porque não dois ou mais?

Quem entra no mundo da aquariofilia facilmente fica fascinado com a variedade de plantas e espécies e ainda mais pelas suas criações. Todo o seu conjunto forma uma harmonia intensa e rapidamente o papel de observador assíduo e de “pai” ou “mãe” galinha passa a vigorar na rotina diária. Será que aquele peixe que ontem não comeu está doente? O que será que causou aquelas manchas castanhas àquela planta? O macho treme frente à sua fêmea, o que será? As folhas das minhas plantas largam bolhinhas de ar, porquê?

Todas estas perguntas nos fazem querer saber mais… resta-nos então, pesquisar, trocar impressões e experiências tudo para que possamos conhecer melhor os comportamentos, as doenças, as causas e as consequências dos nossos actos e da personalidade dos nossos peixes. Facilmente mergulhamos no fantástico de informação e de observação que parece que não tem fim.

O primeiro passo está dado: força de vontade e consequentemente a decisão de entrar neste mundo. E agora o que é que preciso?

Primeira opção do aquariofilista: a escolha das espécies!

Pois bem, primeiro é necessário muita informação, muita pesquisa, saber o que nos reserva e tomar a decisão baseada nas espécies que vamos querer albergar. É preciso garantir que as espécies que vão viver em comunidade não sejam provenientes de um acasalamento cruzado, que não se irão tornar agressivas entre si que partilham dos mesmos parâmetros da água e sempre que possível que partilhem os mesmos habitats naturais. As espécies a manter influenciam diretamente o tamanho, a ornamentação (substrato de areia ou areão), a filtragem e até mesmo as rochas que podemos colocar no aquário. Neste processo prefira uma espécie bem catalogada e bem identificada, comprar peixes por impulso só porque são bonitos pode não ser a melhor opção. Certifique-se que o peixe em causa está bem catalogado (compare-o com fotografias de outros aquariofilistas), do tamanho máximo que atingirá em adulto (geralmente as lojas vendem-nos ainda muito jovens) e a sua agressividade inter e intra espécie.

Escolhidas as espécies pensamos no equipamento com tamanho e características necessárias para os acolher.

... o aquário







Se a sua escolha recair num comunitário com platy (Xiphophorus maculatus), espadas (Xiphophorus helleri) e guppys (poecilia reticulata) precisaremos de um aquário com cerca 80 cm (aprox. 85L). Se for um aquário com apenas uma colónia de neolamprologus similis ou neolamprologus brevis, conchiculas oriundos do Lago anganyika, um aquário de 60 cm (aprox. 60L) será suficiente, uma vez que os peixes são relativamente pequenos. Considerando peixes de maior dimensão, como é o caso dos habitantes do Lago Malawi, o mínimo requerido são 120 cm (aprox. 240L) onde é possível manter cerca de 3 a 4 casais (por exemplo: seudotropheus acei, Iodotropheus Sprengerae e Labidochromis Caeruleus).

Como se pode verificar o tamanho do aquário está diretamente
relacionado com as espécies que o vão habitar daí ser necessário fazer a escolha prévia das espécies. Aquários mais pequenos podem ser utilizados no entanto há sempre uma regra de ouro a ser seguida: no máximo 1 cm de peixe por cada litro de aquário, sendo o ideal 2 Litros para 1 cm - não vamos querer um aquário super populado onde os peixes se sintam “sardinhas enlatadas”! Tudo o que seja superior a estas dimensões os nossos amigos agradecem e até se podem colocar mais espécies desde que sejam compatíveis entre si, tanto a nível social como de habitat.

... o filtro








Posto isto há que pensar num bom sistema de filtragem adequado às espécies e volume do aquário. O ideal será sempre usar um sistema de filtragem externo, pois requer menos cuidados e mantém melhor a qualidade da água. No caso das espécies de grandes lagos africanos é essencial que o sistema de filtragem faça pelo menos 6 vezes o volume do aquário por hora e neste caso poderá usar-se um filtro interno para compensar o externo. Nos outros casos cerca de 4 a 5 vezes é suficiente no entanto convém sublinhar que a filtragem é a parte mais importante do aquário sendo que esta nunca é demais.

... o termóstato








Como estamos a falar de peixes de água quente será necessário um termostato. O termostato tem a funcionalidade de manter a água a uma temperatura constante aquecendo a água até à temperatura indicada (por exemplo, para sul americanos cerca de 27-28º e para grandes lagos africanos cerca de 24-25º). A potência também depende do volume de água e aconselha-se um termóstato com potência equivalente a 1W por cada litro de volume do aquário.

... a iluminação







Neste momento já temos aquário, filtragem e aquecimento. Falta-nos aquilo que nos vai permitir desfrutar do aquário e de todo o seu esplendor: a iluminação. Não sendo um elemento com grandes requisitos para aquários dos grandes lagos africanos ( -0.5W/Litro) é essencial uma boa iluminação para um aquário plantado na proporção de 1W/Litro ou até mesmo superior. No campo da iluminação existem diversos tipos de lâmpadas (fluorescentes, HQI, etc) com diversas temperaturas de cor com funcionalidades e propósitos diferentes (crescimento das plantas, realce das cores, luz marinha, etc).

Uma iluminação adequada irá fazer toda a diferença na beleza do
aquário, por exemplo um aquário do Lago Malawi não necessita de uma iluminação muito forte no entanto a correta iluminação irá fazer realçar as cores dos peixes e até mesmo produzir um crescimento controlado de algas que são necessárias ao desenvolvimentos das espécies desse lago, pois são herbívoros. Convém ter em atenção que o excesso de iluminação poderá originar uma explosão de algas verdes no aquário se não existirem plantas suficientes para “consumir” essa iluminação em excesso, e do mesmo modo uma iluminação deficiente irá originar algas castanhas.

... a decoração:







Rochas, conchas, plantas e afins...

A decoração, tal como todos os outros elementos, depende muito do tipo de espécies e também do tipo de aquário. Existem determinadas espécies que precisam de um conjunto de conchas para formarem as suas colonias, outras dão-se melhor se colocarmos um coco. No caso de algumas espécies do Lago Malawi, nomeadamente os Mbunas (peixes das rochas) é necessário a inclusão de bastantes pedras de modo a formarem muitos esconderijos. Ou seja, devemos que adequar a decoração às necessidades das espécies tentado providenciar-lhes o meio mais natural possível.

... areão ou areia?







Conforme o tipo de aquário que estamos a montar poderemos usar areia da praia ou do rio, por exemplo o adequado para ciclídeos africanos, ou areão com cerca de 2 ou 3 mm, para vivíparos sul americanos.


... a alimentação







Uma vez que é impossível gerar a quantidade de comida necessária aos nossos amigos e também em qualidade, teremos de lhes fornecer comida. Este gesto passará a fazer parte da nossa rotina de vida e é a melhor altura para observar os nossos peixes. Uma boa alimentação é meio caminho andado para o sucesso do aquário, esta deve ser adequada aos hábitos alimentares das nossas espécies e deve ser, sempre que possível, diversificada. Hoje em dia é com grande facilidade que se compra comida de qualidade tanto para peixes herbívoros como omnívoros havendo inclusivamente comida especializada para determinados tipos de peixes.

Os peixes, geralmente, assim que vêm o frasco da comida nadam em grande azáfama de imediato para a superfície, deve-se dar a quantidade suficiente para que eles consumam tudo num período de 2 a 3 min. Caso verifique que deu comida a mais reduza a quantidade da próxima vez, comida em excesso vai apodrecer e degradar mais rapidamente a qualidade da água.

O período da alimentação é crucial para diagnosticar doenças, se determinado peixe não mostrou interesse na comida é sinal que poderá estar com alguma doença, as atenções a partir desse momento serão redobradas e um diagnostico atempado permite a sua recuperação na maioria dos casos.

... outros acessórios








Bombas de ar: conciliada com o uso de uma pedra difusora além de produzir um efeito muito interessante, provoca uma ligeira ondulação à superfície da água favorecendo as trocas gasosas entre a água e o meio ambiente contribuindo para uma melhor qualidade da água.

Móvel: Tendo em conta que um aquário com cerca de 200 Litros de água mais a decoração pode facilmente chegar aos 250-300 Kg, percebemos logo que este elemento não pode ser descurado. Deve fornecer um bom e estável suporte ao aquário, servindo também de arrumação para um filtro externo e o restante material utilizado.

CO2: Para aquários do tipo plantado é indispensável a introdução de CO2 que irá induzir o crescimento natural das plantas e conceder-lhes um verde resplandecente. Tapete de campista ou esferovite: É colocado entre o móvel e a base do aquário de modo a nivelar o aquário para garantir que a distribuição de água é uniforme e que todos os vidros estão sujeitos à mesma força. Um aquário mal equilibrado poderá, com o tempo, ganhar fissuras nas colagens ou mesmo partir devido a pressão não uniforme sobre os vidros.


A Montagem e primeiros passos







Com o equipamento essencial adquirido vamos passar à fase seguinte. Primeiro não esquecer de passar o aquário e as rochas por água de modo a tirar impurezas, lixo e pó acumulados no processo de fabrico. Já com o sítio destinado e o móvel pronto a receber o aquário, vamos então colocar a placa de esferovite ou rolo de campista para equilibrar o aquário nos eventuais desnivelamentos.

Colocamos o aquário, montamos o filtro e a sua tubagem seguindo as instruções fornecidas e por fim o termóstato sem os ligar à corrente.

Caso pretenda colocar rochas como decoração é conveniente colocar um tapete de esferovite no fundo do aquário e por baixo delas não só para evitar deslizamentos mas também para absorver possíveis quedas. Enche-se 20-30% do aquário e colocam-se rochas, areia ou areão previamente lavada para retirar a sujidade maior e, por fim, as plantas.

Com muito cuidado enche-se o aquário até ficar com cerca de 5 cm do topo, ligamos então o filtro e o termóstato. Colocamos o topo do aquário conjuntamente com a iluminação e temos o nosso aquário quase
pronto mas… ainda não podemos colocar os peixes!

Esta fase é de extrema importância pois é essencial aos peixes e à qualidade da água: a água da torneira é tratada com cloro que serve de desinfectante e que garante a qualidade da água que consumimos uma vez que o nosso organismo tolera bem o cloro em quantidades controladas.

Mas os peixes não toleram tão bem o cloro e os mais frágeis podem mesmo não resistir e morrer por intoxicação. Para evitar esta situação existem 2 formas de proceder: tratar a água com um produto anti-cloro próprio para aquários logo após a introdução no aquário ou colocar a água num recipiente durante cerca de 2 ou 3 dias antes de introduzir no aquário. Este último procedimento faz com que o cloro se evapore o que torna a água segura para os peixes. O maior erro e infelizmente o mais comum é o facto de se comprar um aquário enche-lo de água da torneira e meter lá dentro um conjunto de peixes. Logo aqui quebram-se um conjunto de regras essenciais ao bom funcionamento do aquário.

Os peixes e as plantas tal como nós produzem excrementos, na sua primeira fase de decomposição tornam-se em amônia (NH3) que é altamente nocivo e tóxico para os peixes. O ciclo do azoto é um processo biológico que converte numa segunda fase o NH3 noutro tipo de compostos também à base de azoto. Esta conversão é feita por diversos tipos de bactérias, que formam colonias no substrato filtrante, umas convertem para NO2- (nitritos) e outras para NO3- (nitratos). A este processo de transformação de amônia em nitritos e em nitratos chama-se de ciclo do azoto e tem uma duração aproximada de 1 mês. A colocação de 2 ou 3 peixes resistentes (p.e. plecostomus) ou adição de comida podem acelerar este processo.

Passo final: a compra das espécies escolhidas.







E pronto! Temos o nosso aquário completo mas como é obvio não é eterno e exige manutenção. Notar que quanto maior for o aquário e melhor o sistema de filtragem, mais fácil se torna a sua manutenção e estabilização uma vez que a quantidade de água é maior e terá tendência a degradar-se com menor velocidade.

Manutenção do Aquário.




... a água







Primeira noção a reter: Nunca lavar o aquário por completo, salvo raras excepções como no caso de algumas doenças. A lavagem do aquário é, muitas vezes feita da seguinte forma: retiram-se os peixes para um balde (às vezes com água comum da torneira ainda com cloro ou um balde mal lavado que foi usado anteriormente com
detergente), despeja-se o aquário, retirando as pedras, o areão/areia, o filtro, etc.., lava-se tudo muito bem e volta-se a encher de novo e a colocar lá dentro tudo o resto. Este procedimento é comum e completamente errado precisamente por causa do já referido ciclo do azoto.

Então qual é o procedimento correto? Pois bem, a água nunca
se substitui totalmente, devem-se efetuar trocas parciais de água (TPA). A TPA num aquário é o procedimento mais importante que se deve realizar, com ela eliminamos os agentes nocivos como a amônia, nitritos e nitratos e introduzimos novos nutrientes no aquário. A água nova deverá ser condicionada com anti-cloro, e reguladores de Ph, se necessário, pois este deve estar com valor mais perto possível da água do aquário. A frequência das TPA depende de inúmeros factores, nomeadamente da capacidade de filtragem e espécies em causa. Regra geral troca-se entre 20-30% de água de 2 em 2 ou 3 em 3 semanas. Durante uma TPA deverá limpar os vidros, por exemplo com um cartão bancário (já caducado) que sendo de plástico não risca o vidro e aspirar os detritos acumulados no substrato.

... o filtro








Lavar muito bem o filtro é um erro pois mata grande parte das colonias de bactérias essenciais para a saúde e bem estar dos peixes. No caso de possuir um filtro externo deverá aproveitar uma TPA para fazer uma lavagem seguindo exatamente o mesmo procedimento dos filtros interno, no entanto não necessita de o fazer em todas as TPAs, de 4 em 4 meses é suficiente.


... a flora







Eventualmente pode aproveitar uma TPA para podar as plantas.







Comportamento e Reprodução das Espécies:





Ao nível do comportamento encontramos uma diversidade imensa. Os vivíparos (guppys, platys, mollys) vivem em comunidade e reproduzem-se muito facilmente podendo tornar-se numa “praga” uma vez que a população aumenta muito rapidamente e por vezes de forma descontrolada. Os machos fecundam as fêmeas e algum tempo de pois a fêmea expele os peixes já completamente formados. Uma vez que é bastante visível a gravidez destas fêmeas opta-se frequentemente por coloca-las numa maternidade até que os pequenitos nasçam.

Outros peixes, como é o caso dos ciclídeos dos grande lagos africanos, vivem numa sociedade com base num macho dominante que mantém um harém de fêmeas religiosamente e violentamente se necessário. O ritual de
acasalamento é uma bela dança e as fêmeas guardam os ovos fecundados na boca (incubadores bocais) durante aproximadamente 21 dias antes de os largarem e os deixarem entregues a si próprios.

Temos também os peixes monógamos, que formam casais para a vida e que cuidam das suas crias como se do bem mais precioso se tratasse como é o caso dos Symphysodon aequifasciatus/discus e kribensis (pelvicachromis pulcher).

Existe ainda peixes que habitam em colonias hierárquicas entre conchas de caracol (conchiculas do lago Tanganyika), que colocam ovos em pedras/grutas/conchas e os defendem com “unhas e dentes”.

Este comportamento e a personalidade dos nossos peixes prendem-nos horas a fio a olhar para o aquário e é o que faz com que este meio se torne tão fascinante. Se eles se sentirem bem poderemos assistir à reprodução e criação que é qualquer coisa de fantástico e fascinante neste mundo, salvo algumas excepções em que a reprodução em cativeiro é muito difícil.

Tudo isto pode parecer muito complicado mas não é, apenas se pretende esclarecer que tem que existir algum bom senso e muita pesquisa prévia. Geralmente, por falta de informação, acabam por ser cometidos erros fatais e o resultado final não é dos melhores, as pessoas acabam por desistir sem que tenham tido o prazer de desfrutar deste hobby apaixonante.


* Veja também os Artigos, Dicas para o Aquarista e Montagem de Aquário de Água Doce, para Iniciantes





Fonte: http://www.ciclideos.com



Última edição por Mauricio Molina em Seg Out 26, 2009 7:30 pm, editado 2 vez(es)
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