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Como criar filhotes de Poecilídeos

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Artigo Como criar filhotes de Poecilídeos

Mensagem por Mateus Camboim em Sab Fev 12, 2011 2:36 am

Olá,

É muito comum, principalmente quando se é iniciante no aquarismo, notarmos que um de nossos peixinhos está muito, mas muito gordinho, e no outro dia magrinho. Observando o aquário nota um pontinho perto do substrato. Com mais atenção nota que não é apenas um pontinho e sim vários... Filhotinhos! Alevinos idênticos aos pais que que provocam surpresas aos aquaristas menos avisados.

Isso geralmente acontece com poecilídeos, peixes capazes de gerar seus ovos até a eclosão dos filhotes na barriga da mãe. Diferentemente dos mamíferos, não ocorre ligação placentária dos alevinos com as mães, logo são vivíparos ou ovovivíparos. A fecundação é sempre interna com o macho fertilizando os óvulos de fêmeas através de sua nadadeira anal modificada especialmente para essa finalidade, o gonopódio. A gestação demora algo entre 28 à 32 dias e depende de alguns fatores como temperatura, pH, etc. Quanto mais quente mais rápido ocorre o nascimento. Um pH alcalino (7,2 à 7,6) também ajuda muito.

Nessa família os machos são muito ativos sexualmente e sua rotina básica é procurar por comida, dormir e tentar reproduzir, sempre... Tanto é que sempre devemos ter um número maior de fêmeas por macho. Qualquer número a partir de 3 é considerável, mas há quem defenda 5 para mais. Sabe-se que na natureza, Guppies, por exemplo, existem na proporção aproximada de 1 macho para cada 12 fêmeas, é possível entender agora o porquê deste apetite sexual. Se não fosse assim eles não conseguiriam fecundar as fêmeas e não perpetuariam a espécie.

Sobre as condições da água, são incondicionalmente peixes de águas tropicais (26 até 32°C), de pH alcalino (7,2 até 7,8), dureza média (6 até 20°), alguma salinidade dependendo da espécie (Molinésias por exemplo preferem águas salobras), aquários bem plantados, com uma boa iluminação e correnteza mediana. Volumes a partir de 50 litros são uma boa opção, dependendo da espécie (Mollys Velíferas e Espadas precisam de aquários obrigatoriamente a partir de 80 litros devido ao tamanho que atingem).

Essa capacidade garante uma chance a mais de sobrevivência a espécie. Os filhotes já nascem bem grandinhos e espertos. Aproximadamente de 3 até 6 mm, tamanho mais que suficiente para saber se virar sozinho e comer alimentos maiores (por isso são mais criados por iniciantes, são bem mais fáceis de se cuidar e não exigem ração especial) como ração de adultos triturada. Logo que nascem já sabem que devem fugir das mães, já que entre esses peixes é muito comum o canibalismo. Sobem primeiramente à superfície para apanhar o primeiro gole de ar para encher suas bexigas natatórias e após se escondem por um tempo, para depois sair a procura de comida.

As espécies mais comuns a terem essa forma peculiar de reprodução são Lebistes, Platys, Molinésias, Espadas, Agulhas, Tralhotos, Guarús, Meio-Bicos, etc.

Quando notamos que uma fêmea está prenha, temos duas formas básicas de tentar salvar os filhotes: usando aquários maternidade e criadeiras.

Aquário Maternidade: é um aquário comum, que deve ter um volume de 15 até 30 litros, água com pH e temperatura igual ao do aquário principal, sistema de iluminação, aquecimento e filtragem normais e adequados. Preferencialmente não terá cascalho nem nada como substrato e terá muitas plantas. Explicando de forma clara e objetiva:

- Um volume a partir de 15 litro é muito necessário pois por mais que os filhotinhos sejam minúsculos, eles crescerão, então é melhor ter um volume que comporte um bom número de peixinhos;

- Um pH e temperatura iguais ao do aquário principal para que a fêmea não sofra algum trauma devido ao choque de parâmetros diferentes. Isso pode matar os filhotinhos ainda na barriga da fêmea e consequentemente matá-la. Além de agilizar o nascimento, o ideal é um pH em torno de 7,3 e uma temperatura cravada em 28°C;

- Iluminação é essencial para os peixes como para as plantas: para os filhotinhos para a fixação do cálcio, e consequente crescimento adequado e saudável; para as plantas como item fundamental para a realização da fotossíntese, oxigenando a água (além de filtrar e servir como refúgio para os alevinos). Um período de 8/10 horas é o suficiente, inclusive ajuda no aparecimento de algas verdes, que também fazem parte da alimentação natural dos alevinos;

- Filtragem então é um ponto crucial, pois os alevinos são muito sensíveis a quaisquer traços de amônia ou nitrito, assim como o nitrato. Basta perlon e uma mídia biológica de boa qualidade, como anéis de cerâmica. Não é necessário, apesar de aconselhável, o uso de carvão ativado. Tanto filtros externos como nos internos oferecem o perigo de sugar os filhotinhos, portanto é importante que você tape a entrada de água com perlon ou esponja. Mantenha os filtros limpos;

- É aconselhável não manter substrato pois facilita muito na manutenção, na hora de fazer sifonagens, na hora de contar o número de filhotes, etc. As plantas mais indicadas são aquelas que podem ser mantidas sem substrato, soltas na água e que formem tufos compactos: Elódeas, Cabombas, Rabos-de-Raposa, Samambaias-D'água e algumas plantas flutuantes como Alface-D'Água e Aguapé. Servirão para manter a qualidade da água e para abrigar os filhotinhos da mão, que provavelmente tentará comê-los;

Faz-se assim: quando notar uma fêmea mais gordinha que o normal, preparar antecipadamente o aquário maternidade (pode ser o mesmo usado como quarentena), quando a fêmea estiver bem gorda, com respiração ofegante, inquieta ou parada na superfície ou nos cantos escondidos do aquário, capturá-la delicadamente e colocá-la na maternidade. Alimentar normalmente, assim como apagar e acender as luzes como se fosse um aquário comum. Podem inclusive ser colocadas mais de uma fêmea por aquário, bastando ter uma boa vegetação.

Mais cedo ou mais tarde ela dará a luz aos filhotinhos, em um número que varia de 12 até 60 aproximadamente, dependendo da espécie, da maturidade e das vezes que ela já procriou. Você não precisa nem se preocupar com os pequeninos pois terão abrigo nas plantas. Você deve então devolver a fêmea ao aquário principal. Nesse momento alimente-a bem para recuperar as energias.

Você poderá criá-los neste aquário até que alcancem um tamanho que os pais não consigam mais comê-los. Tenha cuidado nas TPAs, pois são sensíveis, faça umas 2 vezes por semana de 15%, mais ou menos.

Segue um desenho simples de como deve ser um aquário maternidade:



Criadeira: basicamente uma caixa de vidro, plástico ou acrílico, com uma divisão central e vários furinhos. A divisão serve para separar os filhotes da fêmea e os buraquinhos para garantir a circulação de água, é um estrutura de se pendurar do lado de dentro do aquário. Explicando:

- Sua principais vantagens é que existem muitos modelos e preços diferentes além de serem convenientemente pequenas. Existem modelos FVM muito bons e fáceis;

- Suas desvantagens é que são muito pequenas e desconfortáveis. Limitam os movimentos das fêmeas e as estressam demais, o estresse pode inclusive fazê-la abortar (o que pode ser resolvido pois é muito comum alevinos prematuros conseguirem viver e crescer, mas não é uma situação interessante) e até mesmo segurarem a gravidez por mais tempo;

- É difícil controlar os compostos nitrogenados, pois o espaço é mínimo;

- Ao contrário do aquário maternidade, você só deve colocá-la quando estiver bem perto de parir e só pode colocar uma fêmea por vez;

- Existe a necessidade de tapar os buracos com algum material que deixe a água passar, como filó (tule) por exemplo. Perlon também serve;

- A criadeira não permite que os filhotes cresçam adequadamente, apenas os mantêm por algum tempo;

Aqui um desenho simples que mostra dois modelos mais básicos de criadeiras à venda (existem muitas outras):



Pessoalmente prefiro usar aquários maternidade, pois os filhotes crescem bem mais rápido e com segurança do que na criadeira. Aliás, o aquário maternidade não precisa ser necessariamente um aquário pode ser uma bacia, um garrafão de água de 20 litros ou qualquer outro recipiente que permita a colocação dos equipamentos básicos. Eu já mantive dos dois modos e afirmo novamente que a melhor opção é o aquário maternidade.

Sobre a alimentação, temos que visar primeiramente a espécie que vamos criar: basicamente são todos onívoros, mas espécies como Guppy, Agulhinha, Tralhoto, Meio-Bico, Guarú tem necessidade de uma maior parte de proteína animal. Platys, Espadas e Molinésias tem necessidade de uma maior parte de vegetais, fibras.

Para as espécies que devem receber mais proteínas, artêmia salina (náuplios) são indispensáveis para um crescimento bem acelerado, assim como micro-vermes, etc. Já para as que devem receber mais fibras rações a base de spirulina são imprescindíveis. Lembrem-se que tanto artêmias como rações de spirulina devem ser fornecidos a todas esses peixes, basta aumentar ou diminuir a quantia de acordo com a exigência de cada espécie. Criadores profissionais dizem que Lebistes alimentados com náuplios de artêmias todos os dias em 3 meses chegam ao tamanho adulto...

Limo nas vidros e nas pedras, gema de ovo cozida e passada na peneira (em pequena quantidade), ração dos adultos bem triturada com os dedos são opções caseiras, fáceis e práticas que podem ser tomadas como complemento.

Atente também que no mercado atual existem dezenas de opções de rações especialmente desenvolvidas para alevinos de poecilídeos, que são nutricionalmente balanceadas além de já virem trituradas, como um pó. Marcas como Alcon, Tetra, Sera e JBL podem ser usadas com tranquilidade.

Com um tempo que varia de 3 até 4 meses já é possível sexar os peixinhos, caso seja esse seu interesse. O gonopódio começa a ser formado. No caso de Guppies, as primeiras manchas de cores começam a aparecer no macho.

No caso específico de ter um aquário só de Molinésias, não é necessário separar as fêmeas prenhas, basta ter muitas plantas que mais de 75% sobreviveram. Isso se deve ao fato da Molinésia não ser uma espécie muito ávida na prática do canibalismo. Alguns inclusive ignoram os filhotes.

Espero ter contribuído e ajudado quem tem filhotinhos ou alguma fêmea "grávida."

Boa sorte com as futuras ninhadas, serão muitas.

Até.


Minha Betteira para o meu Betta.
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Artigo Re: Como criar filhotes de Poecilídeos

Mensagem por Luiz Fernando em Sab Mar 26, 2011 5:39 pm

Olá Mateus

Muito obrigado pelas dicas.

Teus "afilhados" estão bacanas. Só que dão uma canseira que não é fácil... mas compensa.
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Artigo Re: Como criar filhotes de Poecilídeos

Mensagem por Convidad em Dom Mar 27, 2011 9:13 pm

Mateus muito bom o artigo.

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Artigo Re: Como criar filhotes de Poecilídeos

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